“Once – Apenas Uma Vez” (2006).

De 1990 a 1993, John Carney foi o baixista do The Frames, uma banda de folk rock que poderia ser apenas mais uma entre tantas se não fosse a poderosa voz e as composições de Glen Hansard, frontman do grupo. A nível de qualidade a banda facilmente poderia tomar o posto de um Coldplay, mas o destino não quis assim e eles continuaram desconhecidos do grande público.

Após sair da banda, Carney desenvolveu sua carreira como diretor de cinema e em 2006 começou a filmar o longa “Once” no esquema orçamento modesto e ajuda dos amigos. Entre os amigos estava Hansard que ficou encarregado de compor as músicas para a trilha. Até aí tudo bem, até que o ator encarregado para ser o protagonista do romance junto a novata Markéta Irglóva desistiu do papel – para quem não sabe seria Cillian Murphy (“Extermínio”,” Batman Begins” e o recente “A Origem”). Frente a esse problema, Hansard foi convidado para atuar e apesar da relutância inicial, pelo fato de não ser um ator com grande experiência, acabou concordando.

O filme conta a estória de dois músicos que vivem em Dublin, Irlanda, e que por acaso se esbarram em suas duras vidas de trabalho: ele como músico de rua e técnico em consertos de aspirador de pó e ela como vendedora de rosas. Ambos são assombrados por seus relacionamentos inacabados e a paixão pela música acaba os unindo. Ela se impressiona por suas composições e ele por seu talento como pianista, daí essa inesperada amizade acaba levando-os a uma parceria tanto musical quanto pessoal.

É emocionante ver a empatia dos dois desde o primeiro encontro e a árdua tarefa de correr atrás daquilo que se deseja. Tudo contado da maneira mais simples possível e com cada música ilustrando bem a situação.
Ainda que o par central da estória acabe sendo interpretado por músicos e não por atores com formação profissional, a química entre os dois funciona perfeitamente, inclusive fora da tela, com Hansard e Irglóva namorando e fazendo shows com o nome The Swell Season.

Para um filme feito em três semanas de maneira descompromissada e com poucos recursos, o retorno acabou sendo surpreendente, com ele sendo premiado em festivais e ganhando o Oscar de melhor canção, com a música “falling slowly”.

Um exemplo raro que nem toda produção precisa de um elenco ou diretor conhecidos e orçamentos milionários para se ter êxito.

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