- “Quando você vai sair da casa de sua mãe, hein?”
Ouvi essa frase de uma moça paulista; ela é nova – 22 anos, e já é uma pessoa independente. Ela trabalha, mora em sua própria casa, tem seus móveis, seu som, seu próprio computador e seu próprio tudo mais. Ah, ela também dirige, sabe dançar e é de Sargitário. Ao ouvir essa frase, fiquei sem jeito e respondi: -”bom, meu emprego ainda não deu para tanto, sabe…”. Apesar da afeição virtual sei que nunca daríamos certo juntos; fora a distância, somos totalmente diferentes: continuo morando com minha família, não tenho um emprego seguro, não sei dançar, não gosto de perder sono por causa de minha enxaqueca, sou de Libra e ainda estou aprendendo a dirigir. Nunca fui um entusiasta de paixões distantes; se perto já é complicado, imagina longe, com todas as tentações do mundo real ao seu alcance. Aos 31 anos, meu romantismo está mais comedido. Graças!!
Mundos distintos e realidades distintas, estranho em uma terra estranha; mas, voltando a frase, me senti como um personagem de Nicky Hornby após lê-a e apesar de ter melhorado, ainda que tardiamente, tenho aquele pequeno complexo de ter começado a pensar na vida atrasado. E realmente o comecei, visto a diferença entre idades minha e da moça citada e todas as coisas já conquistadas por ela. Não foi a primeira vez que ouvi isso e acredito que não vá ser a última.
Apesar do começo meio “Eduardo e Mônica”, este não foi um post romântico e nem uma ode, coincidentemente hoje é dia dos namorados, mas como diz aquele popular roque carioca: “que bom que eu não amo ninguém”.